Simepar investiga se 'downburst' atingiu Apucarana após temporal com rajada de 124,9 km/h

Estudo cruzou imagens de radar, satélite, dados de estação e padrão de danos; temporal deixou prejuízos, falta de energia e suspensão de aulas

Simepar investiga se 'downburst' atingiu Apucarana após temporal com rajada de 124,9 km/h
Mais de 43 mil imóveis ficaram sem energia elétrica após temporal classificado pelo Simepar como downburst, em Apucarana. Fotos: Prefeitura de ApucaranaFoto: Reprodução/Edson Ferreira, Banda B

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) avalia se um downburst — também chamado por especialistas de "microexplosão" — foi responsável pelo temporal que atingiu Apucarana na noite de segunda-feira (21), quando uma estação registrou rajada de 124,9 km/h às 19h15. O evento provocou queda de árvores, perda de telhados e interrupção generalizada de serviços.

Como é feita a investigação

Segundo o Simepar, a identificação do fenômeno depende do cruzamento de diferentes evidências: imagens de radar e satélite, registros de estações meteorológicas e a análise do padrão de destruição no terreno. O coordenador de operações do instituto, Marco Jusevicius, explicou que o downburst ocorre quando uma corrente de ar muito forte desce de uma nuvem de tempestade e se espalha ao alcançar o solo, gerando rajadas intensas em curta duração. Essa dinâmica distingue o fenômeno de um tornado, embora ambos possam causar ventos severos.

Impactos na cidade

Relatos e levantamentos iniciais apontam danos distribuídos em várias partes da cidade: mais de 70 postes foram quebrados, deixando cerca de 43 mil imóveis sem energia elétrica, e o abastecimento de água sofreu impactos que a Sanepar vem regularizando. A Defesa Civil registrou, em primeiro levantamento, a queda aproximada de 400 a 500 árvores e apontou danos em residências, empresas, igrejas e escolas.

Uma granja teve o barracão danificado e a cobertura arrancada, resultando na morte de 20 mil frangos; o produtor estima prejuízo de R$ 1,5 milhão e informou que pretende encerrar as atividades após perder também o sistema de energia solar da propriedade. O Corpo de Bombeiros distribuiu entre 50 mil e 60 mil metros de lona plástica para reparos temporários, e o estoque desse material em Apucarana e cidades vizinhas foi esgotado.

Em reação aos danos, a prefeitura suspendeu as aulas nas 60 unidades da rede municipal — 35 escolas e 25 CMEIs — e decretou situação de emergência. O Simepar segue com a avaliação técnica para determinar com precisão qual fenômeno meteorológico provocou os estragos, e, até o momento, a instituição não classificou o evento como tornado.